Io:
Si negaras mi presencia en tu vivir/ bastaria abrazarte y conversar/ tanta vida yo te di/ que por fuerza llevas ya/ sabor a mì.

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Quarta-feira, Julho 01, 2009
África-Brasil.




Terça-feira, Junho 30, 2009
Tempo de pressa.

As pessoas dizem que quando você ama o tempo passa devagar quando se está longe da pessoa amada. Não é nada disso. É o tempo te ensinando a se acalmar e aproveitar bem o tempo, por que quando o amor chega quer colo, quer carinho e quer devagar, aí você, já acostumada a sorver o tem-po, desacelera e tranquilamente vai indo a cada passo, passo do amor.

O amor é tempo.

Tempo de pressa, tempo de calma. É assim: quando ele está perto de chegar, mas você sabe que ele vem, respira fundo. Quando ele chega, a pressa acalma bem devagar e o amor assenta igual pó de café no fundo do copo - quando você faz o café com coador de pano. Quando você não sabe se ele chega ou não, engasga o peito de vontade de café.

Sexta-feira, Junho 26, 2009
Medo.

Eu tenho medo de dormir em casa sozinha. Pode dar risada, mas é verdade. Venho pra sala e ligo a tevê. Fizeram uma festa aqui no domingo e tem bola de assoprar na varanda, quando o vento bate faz barulho e eu me assusto mais ainda. Bato as teclas bem alto para não ter medo, abro-fecho a porta, como outro miojo, troco de canal - a tevê deve ter raiva de mim, eu que nunca falo com ela agora fico toda cheia de amores -, caminho pela sala. Fico pensando qual a melhor saída: deixar a porta trancada ou a janela aberta. Convites para dormir não me faltam, mas eu me encolho no sofá e entre um sono e outro, tenho medo.
Toda sexta é assim, futebol e solidão aqui pros lados da Zona Sul.


Quarta-feira, Junho 24, 2009
Post antigo.

Sinto vontade de escrever quando estou assim, aqui. Já passa de meia-noite, estou sozinha aqui no quarto. Gosto disso. Tenho uma boa sensação, sensação que as coisas vão dando certo, é noite e faz frio e eu sozinha e gostando disso, não tem mais nada pra acontecer de bom, minha mãezinha lá longe agora deve dormir sorrindo, eu penso assim e é melhor que seja tudo verdade.
São uma e treze da manhã, Lizz canta qualquer coisa para Mia aqui e eu me deixo ouvir como se fosse para mim também, acho que ela não liga, segue cantando alguma coisa sobre distância e saudade, coisas que eu conheço bem, sei como dói, onde dói.
Gosto de ser eu, com todos os problemas de ser eu. Gosto de aprender a ser eu, gosto de me colocar em dúvida e a postos sempre, sempre.
Mas não gosto da palavra sempre. Não gosto de me sentir presa. Não gosto de jogar o jogo, embora assuma que é difícil não jogar. Não gosto que me liguem quando estou com saudades – penso que posso resistir, mas você me liga e aí... Não gosto de dar satisfações, nem explicar posts.
Vou dormir, por que há dias que você descobre mais de você do que numa semana, mês, isso aí.

Terça-feira, Junho 16, 2009
A vida é difícil.

Vendo a criança chorar, perguntei o motivo. Ele

eu não quero mais brincar das brincadeiras que você brinca, são difíceis

O amiguinho se compadece, lastimando

a vida é assim, amigo, difícil, brincar é difícil

Nem disse nada.

Segunda-feira, Junho 01, 2009
Mainha e eu.

Ontem me olhei de relance num espelho, vi a cara de minha mãe. Tomei um susto. Eu, que nunca me achei parecida com ela, tava ali, ela toda, no espelho. 
Ela sou eu também. Deve ser por isso que ela fica tão orgulhosa de mim.




Domingo, Maio 31, 2009
Simonal - Ninguém sabe o duro que ele deu.

O ingresso vale pelas imagens de Simonal cantando Tributo a Martin Luther King. Ainda ficaram dizendo que ele não sabia direito o que era isso de preconceito. Pelamor.
Assistam o documentário, teçam seus comentários. Não consegui chorar, fiquei entalada. Também não quero dizer muito, não quero dizer que ele era perfeito. Nada disso. Ele era um negro de cor, meu irmão de minha cor.
Deu vontade de abraçar Max de Castro. De fazer cafuné no Simoninha.

Estou devendo escrever mais e mais aqui, mas a vida segue seu curso, com todas as coisas que se tem quando se decide viver mesmo, botar bloco na rua, sair de casa em dia de chuva - mesmo antes de música de Vanessa da Mata, mainha já fazia isso com a gente, dava uma chuvona daquelas e ela ia junto com a gente pra debaixo da água, minha infãncia teve isso também, tomar banho de chuva -, pagar pra ver, sorrir, chorar no meio da noite, baixinho e depois abrir berreiro, aprender a pedir abraço, deixar de fazer coisas e aprender a ouvir outras pessoas, falar tábom quando não tábom pra gente que não gosta disso e pede pra você falar de novo tudo e mais e sempre.

Quarta-feira, Maio 27, 2009
É só um homem.

Descendo as escadas, saindo do buzu e indo de encontro ao trem, estação Hebraica-Rebouças. Um homem negro, morador de rua, almoça sempre no mesmo lugar, "atrapalhando" o trânsito das pessoas que descem correndo para pegar o trem, ir trabalhar, ir, ir.
Vejo as pessoas resmungarem, mas ninguém diz nada pro moço, que além de almoçar ali religiosamente entre meio dia e uma da tarde, espalha ao redor seus vasilhames, seus pertences. Penso que ele quer mesmo que alguém fale alguma coisa, que reclame, talvez ele tenha muita coisa engasgada para dizer. Mas as pessoas não falam nada, meneeiam a cabeça, bufam, quando muito.

Eu de minha parte não me importo muito. Sou sempre atropelada pelas pessoas que descem. Ele me ajuda a conter o fluxo.

Terça-feira, Maio 26, 2009
Me encontre.

Quer me encontrar em Salvador?

Vá em Itapoan e passe pela avenida Dorival Caymmi. Depois da feira, tem uma lanchonete bem pequenininha. Eu passo o dia todo que deus deu sentada ali, olhando a vida dos outros. Sem nenhuma vergonha.

Pode passar depois das sete da manhã que tu já me encontra lá.

Terça-feira, Maio 19, 2009
A resposta das crianças.

Domingo de meio-sol, sou interpelada por um menino-bonito. Ele me pergunta

quantos anos você tem?

Eu digo, meio sem jeito

vinteeoito

Ele estranhou, vi pela cara e emendou

mas eu tenho quatro anos e sou quase do seu tamanho!

Olhei pra cara dele, admirei o moço. Pena ele ter só quatro anos, mesmo sendo quase do meu tamanho. Contei essa historinha aí só pra dizer que deve ser por conviver tanto com criança que eu não aturo muito gente chata, gente hipócrita, gente ciumenta, insegura, nojenta, gente que conversa no banheiro pra te assustar e te olha de alto a baixo e te vira a cara, deixa pra lá por que vai ficar feio ficar escrevinhando coisa feia na vida neste blog que é meu e é só pra falar de como eu estou, e eu estou felizapaixonadaesendoamada e fim.